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Um cuidado a mais pela segurança sobre duas rodas

Por Klaus Curt Müller, presidente da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP)

Andar de moto causa, em muitos, a sensação de liberdade do trânsito. Outra parcela – e essa cada vez maior – opta pela motocicleta como ferramenta de trabalho. E há ainda aqueles que escolhem o veículo de duas rodas pelo custo mais acessível em relação ao carro. Porém, é preciso atenção quando a moto se torna o seu meio de locomoção, pelos riscos que estão envolvidos – alguns maiores se compararmos aos riscos de dirigir um carro.

Isso não significa que você deve banir a moto de sua vida, mas alguns cuidados são importantes e devem ser considerados. O principal deles é o pneu, que possui papel fundamental para os veículos. Isso porque o pneu é o único ponto de contato com o solo e, em veículos de duas ou três rodas, é também o responsável pelo equilíbrio e dirigibilidade. Portanto, é de extrema importância estar sempre atento às suas condições.

Se o pneu está “careca”, por exemplo, significa que a banda de rodagem, que é a parte de fora do pneu e que fica em contato constante com o solo, está desgastada. Quando isso ocorre, certamente o pneu perderá a aderência, causando dificuldades no controle do veículo e riscos à segurança de quem está pilotando.

A dirigibilidade e a segurança dependem também da geometria da suspensão e direção da motocicleta. Alguns ângulos são fundamentais para isto, entre eles o camber, que é o ângulo criado quando a motocicleta se inclina durante uma curva, sendo que o traseiro é diferente do dianteiro. A dinâmica da realização de uma curva sem escorregamento do motociclista depende da curvatura do pneu, que pode ser prejudicada, devido ao alto desgaste ou ao uso de pneus reformados. Assim, pneus de veículos duas rodas que estão em más condições devem ser descartados, pois seu uso pode impactar a segurança do motociclista e de quem está ao seu redor.

O maior erro que vimos atualmente – e esse mercado tem crescido – é a opção por reformar pneus que não estão mais em condições de uso. A atração ao mercado de pneus reformados é devido ao seu menor custo. Porém, desde 2004, a legislação proíbe o uso de pneus reformados em veículos de duas ou três rodas, pois esses pneus não foram projetados para ter uma segunda vida. Isso significa que a carcaça, que serve de estrutura de sustentação para os demais componentes do pneu, a qual sempre apresenta um grande desgaste ao fim de sua primeira vida, impacta o pneu como um todo. Por esse motivo, o prolongamento do seu uso interfere diretamente na segurança do motociclista.

Além disso, as reduzidas espessuras dos materiais dificultam a raspagem e há grande chance da formação de rugas, bolhas e má adesão quando há aplicação do material de reforma. Deste modo, as tensões e deformações da área de contato do pneu com o solo interferem na sua geometria e favorecem o possível descolamento da estrutura reconstruída com um grande potencial de causar acidentes graves.

Assim, a Resolução 158/2004, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e a Portaria 554/2015, do Inmetro, proíbem, respectivamente, o uso e o serviço de reforma de pneus em todo o território nacional, considerando a reforma de pneus duas rodas uma prática ilegal do mercado. Portanto, a reforma não é uma opção para aumentar a vida útil de um pneu.

Por outro lado, o comportamento dos motociclistas pode fazer com que o pneu dure mais tempo. Realizar a manutenção adequada e a direção segura impactam na vida útil de um pneu. É fundamental que o motociclista entenda o seu papel, tanto para garantir as melhores condições quanto na decisão em trocar seu pneu no momento certo. Mais importante do que o custo do pneu, deve estar a segurança de todos.